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  • Vasco aposta na vaga no tempo normal contra o Corinthians

    RIO — Quando Vasco e Corinthians entrarem em campo nesta quarta-feira no Pacaembu, o placar estampará o 0 a 0. Resultado que levaria a decisão da vaga às semifinais da Libertadores para as cobranças de pênaltis. Porém, em São Januário, ninguém acredita em mais uma partida sem gols. Um alento aos torcedores, os que mais sofrem na hora das temidas penalidades.

    Nem mesmo o goleiro Fernando Prass, que garantiu a vitória sobre o Grêmio por 2 a 1 ao defender o pênalti batido por Marcelo Moreno no domingo, na estreia no Brasileiro, deseja outra disputa decidida nas cobranças.

    — O jogo começa com essa situação, mas sei lá... Pelos dois times, pelo jogo que deve ser, acho difícil uma partida dessa acabar 0 a 0. Pode acontecer, mas é um sentimento meu de que não vai ser assim. Aqui era o primeiro jogo, as equipes tiveram um pouco de cuidado. À medida que o tempo passa, vai diminuindo o tempo para decidir a partida e um gol pode definir a classificação. Vão se arriscar mais — analisou o goleiro.

    Se Prass estiver errado e não houver como escapar da marca da cal, ele garante estar preparado.

    — Vamos treinar para isso, vamos levar em consideração essa possibilidade — disse.

    Prass está pronto também para rebater qualquer tipo de crítica por não ser considerado especialista em defender pênaltis. No Vasco, o goleiro pegou quatro em 39 penalidades.

    — Acho que é uma qualidade importante, mas há outras coisas muito mais importantes para um goleiro. Um pênalti pode ter um a cada 10 jogos. Mas há outros lances que acontecem várias vezes num jogo, que o goleiro precisa ir bem. Se puder agregar as duas coisas, melhor. O goleiro tem que trabalhar sempre — declarou o camisa 1, que aceita as críticas embasadas. — Só me irrita quando falam algo descabido. Ali é um momento muito rápido, tem que esperar o máximo para a bola sair e contar com os pênaltis mal batidos. Contra o Lanús, todos foram bem batidos e no alto.

    Vasco completo em campo

    No que depender de Éder Luís, a partida será decidida nos noventa minutos. A favor do Vasco, é claro. O atacante conta com a necessidade de o Corinthians buscar a vitória, único resultado que garante ao time paulista a classificação direta para as semifinais.

    — Eles vão sentir o jogo também, não podem só se defender lá . Assim como nós — afirmou o atacante.

    Na aposta por um jogo mais aberto, Éder sabe que pode fazer a diferença em campo.

    — Vai ser um jogo em que vamos usar muito o contra-ataque. Como não joguei domingo, pude descansar e me preparar para quarta. Temos que marcar e sair nos contra ataques, quando posso ser decisivo — garantiu Éder, cujo contrato termina no final do mês que vem e está aguardando a resposta do Benfica à proposta enviada pelo Vasco há uma semana. — O Vasco mostrou interesse em me manter. São coisas que eles têm que resolver. O Daniel (Freitas, diretor de futebol) tem conversado comigo, estão otimistas. O Vasco colocou proposta na mesa, vamos esperar até o final deste mês ou do mês que vem.

    O Vasco treina nesta terça-feira pela manhã e, em seguida, viaja para São Paulo com o time completo. Rodolfo, que se chocou com o goleiro Fernando Prass e saiu de campo tonto, foi reavaliado e tem condições de jogo.



  • Fifa nomeia mulher para comitê executivo

    BUDAPESTE, Hungria. — A Fifa, pela primeira vez em sua história, anunciou ontem a nomeação de uma mulher para fazer parte de seu comitê executivo. É Lydia Nsekera, de 45 anos, presidente da Federação de Futebol de Burundi. Ela é membro dos comitês de futebol feminino e das Copas do Mundo femininas da Fifa, além de integrar, desde 2009, o comitê organizador dos torneios olímpicos de futebol feminino do Comitê Olímpico Internacional (COI).

    Também durante seu 62 Congresso, que acontece em Budapeste, na Hungria, a entidade confirmou que seu comitê de ética está sendo restruturado, com um novo modelo dividido em dois comitês — um para investigações e outro para julgamentos. Era esperado para hoje o anúncio de quem comandaria os dois comitês mas um dos candidatos está doente e o anúncio foi adiado. Em comunicado, a Fifa informou que “o comitê executivo decidiu marcar uma reunião extraordinária para designar os novos responsáveis pelos comitês, assim que forem aprovadas no Congresso as relevantes mudanças no Estatuto da Fifa, o que deverá acontecer dentro de 60 dias”. A reunião deve acontece em Zurique, na Suíça, na primeira semana de julho.



  • Estado lança programa de erradicação do trabalho escravo

    RIO - Jornadas exaustivas, condições degradantes e retenção de documentos são alguns dos crimes cometidos contra trabalhadores e que configuram o trabalho escravo. Para combater esse tipo de exploração, o governo do estado lança nesta terça-feira o Plano Estadual para a Erradicação do trabalho escravo. Segundo a coordenadora do programa, Graziella Rocha, em pelo menos três tipos de atividades: plantação de cana-de-açúcar, em Campos; plantação de tomate, em Vassouras; e pedreiras, em Santo Antônio de Pádua.

    — Constatamos que no caso das pedreiras, as pessoas faziam atividades perigosas sem qualquer proteção, em condições degradantes e em locais que não tinham um banheiro sequer. Além disso, os salários são irrisórios — contou Graziella Rocha, que também coordenou os trabalhos da Comissão de Erradição do Trabalho Escravo no Estado do Rio de Janeiro (Coetrae-RJ), criada em abril de 2011.

    O plano elaborado pela comissão tem 41 ações, que serão colocadas em prática em até dois anos, e os principais eixos de trabalho são: divulgação de lista com os principais municípios que comprovadamente têm trabalho escravo; parceria com o Disque-Denúncia (2253-1177), para que eles possam identificar denúncias de trabalho escravo; desenvolvimento de módulos de formação sobre trabalho escravo para os agentes da segurança pública; cancelamento dos contratos, por parte do estado, de empresas que tenham tido condenação por trabalho escravo e encaminhamento para o serviço de proteção à testemunha, daquelas pessoas que denunciarem uma realidade de trabalho escravo.

    De acordo com Graziella Rocha, não há número de pessoas que estejam em situação de trabalho escravo no estado. Não há também registro de locais onde haja o cerceamento da liberdade das pessoas, mas são inúmeros os casos onde as pessoas perdem a dignidade na relação de trabalho.

    Segundo o levantamento feito pela Coetrae, no Estado do Rio o problema é grave e se manifesta principalmente no Norte e Noroeste fluminense. Em 2009, o Rio de Janeiro liderou os índices de resgate de trabalhadores em situação análoga à escravidão. Dados apontam que 715 trabalhadores foram resgatados pelo Ministério do Trabalho, de um total de 4.283 em todo o Brasil.

    Em Campos, segundo o relatório da comissão, até o ano passado a situação era a mais crítica do estado. As denúncias sobre trabalho escravo são feitas há aproximadamente seis anos, pelas mais de vinte organizações da sociedade civil que fazem parte da Coetrae. No dossiê, a comissão relata que a sociedade de Campos tomou conhecimento desta situação depois de uma denúncia de que 78 trabalhadores rurais estavam vivendo como quase escravos, em locais com ratos e com comida com gosto de sabão.

    Entre as ações previstas no plano estadual, estão a promoção de campanhas de conscientização, divulgação de dados referentes à situação de super exploração a que são submetidos trabalhadores rurais imigrantes no estado e também a realização de ações conjuntas com poderes públicos locais, tanto para desarticular rotas internas de tráfico de pessoas, quanto para facilitar o retorno dos trabalhadores às suas terras natais.



  • Sopas são opção para ajudar a emagrecer e introduzir nutrientes na dieta, mas têm muito sal

    RIO - Cerca de 99% das pessoas consomem mais de 2,3 g de sódio por dia, o limite recomendado para pessoas com mais de 50 anos, os que têm pressão alta ou doenças renais, de acordo com análise da Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição americana. Muito desse sódio vem das sopas prontas. A boa notícia é que a Iniciativa Nacional de Redução de Sal está trabalhando para reduzir a ingestão do ingrediente em 20% nos próximos cinco anos. Para cortar a ingestão de sal, escolha sopas com menos de 480 mg de sódio por porção. E opte por misturas de vegetais com cerca de 150 calorias por bowl. Veja abaixo outros cinco benefícios da sopa:

    Pode ajudar a emagrecer: em um estudo, um grupo de voluntários reduziu as calorias totais do almoço em 20%, em média, quando começou a refeição com uma sopa de vegetais antes da massa.

    Tem nutrientes extras: uma pesquisa de 2010 do “Consumer Reports” descobriu que colocar vegetais na sopa era um jeito fácil e mais gostoso de incrementar os nutrientes da dieta. Grãos como arroz integral e quinoa ajudam a colocar mais fibras na receita e temperos como alho, gengibre e curry podem substituir o sal.

    Alimenta a alma: pesquisas mostram que um prato de canja da vovó não cura a gripe, mas reduz os sintomas. De acordo com um estudo de 2011 da “Psychological Science”, estudantes que percebiam a canja como comfort food sentiram maior senso de pertencimento que aqueles que não tomaram sopa.

    Não é um prato só de inverno: o gaspacho, por exemplo, é cheio de tomates, alho, cebola, pepino e pimenta, e é saudável e saboroso.

    Pode ser feita em casa: o Bisphenol A (BPA), elemento químico relacionado a anormalidades reprodutivas e outros problemas de saúde é usado em latas de comida. Uma pesquisa publicada no jornal da “American Medical Association” descobriu que consumir 355ml de sopa enlatada uma vez por dia durante cinco dias aumentou os níveis de BPA na urina dos participantes mais do que quando eles tomaram sopa feita com ingredientes frescos por cinco dias.



  • Rebeldes acusam governo de matar 2 pessoas na frente de monitores

    AMÃ e BEIRUTE — O Exército Livre Sírio acusa a polícia do país de ter matado dois manifestantes na frente de observadores da ONU nesta terça-feira, na cidade de al-Busaira, na província de Deir al-Zor. Os dois mortos em al-Busaira fariam parte de um grupo que recepcionava e comemorava a chegada dos monitores internacionais enviados para fiscalizar o cumprimento de um acordo de paz na Síria. Não há confirmação da informação por causa das restrições à imprensa impostas no país.

    Um vídeo postado no Youtube mostra rebeldes comemorando após capturar e incendiar um tanque do governo na cidade de Idlib, no noroeste do país. Não há mais informações sobre o episódio.

    — Assim que o comboio da ONU entrou em al-Busaira, uma multidão de centenas de pessoas em êxtase saiu às ruas para recepcioná-los. Isso não foi minutos antes de receberem tiros — afirma Abu Laila, do grupo opositor. — Os observadores imediatamente deixaram al-Busaira. Nós pedimos que eles voltassem, mas eles se recusaram.

    De acordo com o rebelde, após a saída dos monitores, o confronto entre as forças de segurança e os cidadãos continuou. Outra fonte da oposição na província disse que as forças do governo que rodeiam al-Busaira começaram a disparar com armas antiaéreas na cidade.

    Al-Busaira é uma das várias cidades sob controle rebelde em Deir al-Zor, uma província produtora de petróleo perto da fronteira com o Iraque. A região tem sido seguidamente atacada pelas forças do presidente Bashar al-Assad nos últimos quatro meses, em uma tentativa de retomar o poder.

    Explosão em restaurante mata cinco em Damasco

    Na capital Damasco, cinco pessoas morreram na explosão de uma bomba em um restaurante. O incidente aconteceu em um bairro no norte da cidade, Qaboun, que tem se tornado um ponto de protestos anti- governo e sido palco de confrontos entre rebeldes e partidários de Assad.

    A TV estatal síria afirmou que a explosão foi feita por “terroristas”, termo usado pelo regime para se referir à oposição. As imagens da emissora mostraram uma cozinha queimada e uma sala cheia de destroços.

    O Observatório Sírio para Direitos Humanos disse que a bomba detonou logo após meia-noite.



  • Sócios do Vasco fazem fila por ingresso para jogo da Libertadores

    RIO - Começou às 10h, e vai até 17h, a venda de 1.000 ingressos para sócios do Vasco que quiserem assistir à partida contra o Corinthians no Pacaembu na quarta-feira, às 22h, pelas quartas de final da Copa Libertadores. A venda acontece na bilheteria 3, que fica logo depois da entrada principal de São Januário. O preço é R$ 50, sem meia-entrada.

    O Corinthians disponibilizou para o Vasco 1.800 entradas. Destas, 600 foram destinadas à diretoria e a patrocinadores. Outras 200 são do Vascotour, pacote de R$ 960, que inclui passagem aérea em voo fretado para São Paulo, com saída naa quarta à tarde e retorno na madrugada de quinta.

    Antes de 9h20m já havia ccerca de cem pessoas na fila. A tendência é de que os ingressos se esgotem rapidamente.

    Para se classificar à semifinal o Vasco precisa vencer ou empatar com gols, já que em São Januário, semana passada, a partida terminou 0 a 0. Em caso de nova igualdade sem gols, a vaga será decidida nos pênaltis.



  • Governo do Iêmen destitui militares ligados a Saleh

    SANAA – O presidente iemenita Abd-Rabbu Mansour Hadi destituiu nesta terça-feira importantes chefes militares ligados ao ex-presidente Ali Abdula Saleh, sob a forte suspeita de que eles tenham dado apoio à rede extremista al-Qaeda no atentado da última segunda-feira na Praça al-Sabin. No ataque, que deixou mais de 120 mortos e outros 300 feridos, um homem-bomba invadiu o ensaio da comemoração aos 22 anos da unificação do país e detonou os explosivos. O local é fortemente vigiado por forças de segurança iemenitas, pois também abriga a sede da presidência. O fato reforça que seria praticamente impossível que um dos radicais conseguisse se infiltrar sem contar com a ajuda de forças internas, afirmou o ministro da Informação do Iêmen, Ali al Amrani.

    Na lista negra de destituições do presidente Hadi, três alto comandantes militares ligados a Saleh chamam a atenção: o chefe das Forças de Segurança Central e sobrinho do ex-presidente, Yehia Saleh; o comandante da Divisão de Resgate e o vice-chefe da Segurança Nacional. O chefe do Serviço de Inteligência do Iêmen, Ammar Mohameed Abdulá Saleh – membro da família de Saleh – foi demitido de forma descrita como “fulminante”.

    – Duvido que um terrorista sem ajuda consiga se infiltrar na Praça Sabaín, tão fortemente protegida pela Guarda Republicana e pelas Forças de Segurança Central – assegurou um especialista em segurança ao diário “Yemen Post”.

    Na segunda-feira, uma autoridade iemenita disse que o suicida era um homem que usava vestes de soldado. Mais de mil pessoas participavam do treino para as comemorações, no entanto, todas as vítimas eram militares das Forças de Segurança Central, lideradas pelo sobrinho de Saleh. O incidente foi maior ataque realizado na capital iemenita desde que Hadi tomou posse, em fevereiro.

    Mesmo após o atentado de segunda-feira, a parada de comemoração à unificação do país não foi cancelada e correu tranquilamente nesta terça. Hadi assistiu ao desfile protegido por uma parede de vidro blindado e, ao fim do evento, reforçou que o Iêmen não irá se render à vontade dos terroristas.

    – A guerra contra o terrorismo continuará até que este seja extirpado e aniquilado completamente – defendeu.

    Vingança de extremistas

    O brutal atentado de segunda-feira foi uma resposta da al-Qaeda à última ofensiva do Exército do Iêmen para retomar territórios invadidos por extremistas no sul do país, na província de Abyan. Em um comunicado divulgado à imprensa na segunda-feira, o grupo radical prometeu novos atentados caso a campanha militar iemenita continue no sul país.

    “Nos vingaremos, se Deus quiser, e as chamas da guerra os alcançarão em qualquer lugar. O ocorrido de segunda-feira é só o início da jihad (guerra santa) em defesa da honra e das santidades”, diz a nota dos radicais.

    Em novembro, Saleh foi forçado a deixar o poder após intensos protestos no país. Graças a um acordo com o Conselho de Cooperação do Golfo, ele passou o poder a Hadi, que era seu vice e que tomou posse oficialmente no fim de fevereiro.



  • Fifa aprova seis cidades para a Copa das Confederações 2013

    BUDAPESTE, Hungria — A Fifa anunciou hoje, durante seu 62 Congresso, em Budapeste, na Hungria, que a Copa das Confederações 2013, competição oficial que antecede a Copa do Mundo 2014, no Brasil, tem seis cidades-sede à disposição. Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Fortaleza, Recife e Salvador foram aprovadas para receber os jogos do torneio, mas isso não significa que as seis serão contempladas com partidas. Devido à preocupação com o ritmo de obras nos estádios, a entidade admitiu que a tabela de jogos deve ser feita com base em apenas quatro ou cinco sedes. Também hoje, o Kosovo, ex-território da Iugoslávia, deu um grande passo para se tornar mais um afiliado da Fifa, ao ter seu nome aprovado por outras nações para a realização de amistosos.



  • Dólar se mantém em alta e já é vendido a R$ 2,05

    SÃO PAULO - O dólar comercial abriu os negócios desta terça-feira em queda, mas por volta de 9h29m inverteu o sinal e passopu a operar em alta. No horário, a moeda americana se valorizava 0,34% cotada a R$ 2,0510 na compra e R$ 2,0540 na venda. Na segunda, fechou em alta de 1,33% cotado a R$ 2,044 na compra e R$ 2,046 na venda. No mês, a moeda americana tem valorização de 7,30% e no ano, a alta é de 9,52%.

    - Na minha avaliação, a alta do dólar reflete o jogo artificial entre players do mercado, não correspondendo ao ambiente macro. Por isso, acredito que ele deve ceder rapidamente. Espero mais intervenção do Banco Central via swap cambial no curto prazo - avalia o economista Darwin Dib, da CM Capital Markets.

    Na Europa, as Bolsas operam em alta, mas perderam força após um leilão de títulos da Espanha, em que os invetsidores exigiram taxa de juro mais alta do que na venda anterior. Também o rebaixamento do rating do Japão pela agência de classificação de risco Fitch pesa na agenda dos investidores. O índice Ibex, da Bolsa de Madri, sobe 1,01%; o Dax, da Bolsa de Frankfurt, se valoriza 1,22%; o Cac, da Bolsa de Paris, tem ganho de 1,27% e o FTSE, do pregão de Londres, sobe 1,33%.

    A Espanha vendeu 2,526 bilhõesde euros em títulos de três e seis meses, com yields (retorno ao investidor) maiores do que no leilão realizado há um mês. A Fitch cortou o rating do Japão para A+, com perspectiva negativa. A agência informou que o rebaixamento reflete os crescentes riscos para o perfil de crédito soberano do Japão, resultado da alta e crescente dívida pública. A dívida do país, em 200% do Produto Interno Bruto (PIB) anual, é a maior do mundo.

    - O rebaixamento da nota japonesa por parte da Fitch demonstra que, novamente, as agências de classificação de risco possuem um timing muito ruim para analisar e divulgar o resultado destas avaliações - diz relatório da corretora Cruzeiro do Sul.

    Os investidores aguardam a reunião de líderes da União Europeia, nesta quarta. Há expectativa de que sejam anunciadas medidas de estímulo ao setor bancário da região e também em relação à Grécia. O mercado aguarda o posicionamento de França e Alemanha que têm visões diferentes sobre como estimular a economia para criar empregos e aumentar a competitividade.

    A imprensa chinesa informa que o governo quer acelerar a aprovação de projetos de infraestrutura, bem como agilizar a alocação de fundos destinados à construção – tudo isso para aquecer a demanda agregada.

    Isso fez as Bolsas asiáticas fecharem em alta, antes da Fitch rebaixar o rating do Japão. No Japão, o índice Nikkei apresentou alta de 1,10%, a 8.729 pontos. Na Coreia do Sul, o índice Kospi, da Bolsa de Seul, fechou com avanço de 1,64% a 1.828 pontos. Na China, o índice Xangai Composto apresentou alta de 1,07%, a 2.373 pontos enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, fechou com avanço de 0,62%, a 19.039 pontos.



  • Elos entre pequenos produtores e comerciantes de Maringá

    RIO - Ao começar a lida, por volta das 4h da manhã, Gezuel Elzo dos Santos olha para o céu assim que abre a porta de casa. À primeira vista o mexer de cabeça, quase automático, se justifica pela necessidade de saber se vai chover ou não. Afinal, ele tem uma longa jornada pela frente. Mas, quem passa um pouco mais de tempo ao lado do homem alto, de nariz adunco e traços fortes percebe que volta e meia ele repete o gesto e que o movimento esconde algo mais: o desejo antigo de viajar pelos ares “naqueles aviões grandes, de passageiros, com 400 lugares”, como ele mesmo descreve.

    — Sei que existe a Europa, lugar antigo que um amigo me contou. Gosto de viajar e um dia quero conhecer — contou o homem, que fez na vida um voo apenas, com um amigo piloto em um avião pequeno.

    Há 40 anos, Gezuel viaja muito, mas só pela terra. Todas as sextas-feiras ele encara seis horas em cima da mula Ruana, companheira de sempre, para levar de Serra Negra, Minas Gerais, onde mora, a Maringá, Rio de Janeiro, alimentos para vender.

    Ele é um dos últimos tropeiros daquele vale frio de araucárias, no meio da Serra da Mantiqueira, entre o quilômetro 330 da Rodovia Presidente Dutra e a cidade de Itamonte. Seu trabalho semanal, como de outros três amigos, é escoar a produção dos pequenos agricultores locais. Sem saber, ao cumprir esta tarefa, Gezuel e sua tropa de quatro mulas exercitam, na prática, um dos grandes desafios para resolver o problema de distribuição de alimentos no planeta: reduzir a distância entre o produtor e o consumidor, realizando o que entendidos do assunto chamam de circuito curto de distribuição.

    O circuito, no caso, é uma trilha de 20 quilômetros pelas montanhas. É mata fechada que, segundo o tropeiro, "é sacrifosa (sic)" para os inexperientes no caminho. Mas, para ele, que começou fazendo o percurso ainda pequeno, com o pai, também tropeiro, levando frutas para as vendas de Itamonte, é moleza. Dura mesmo é a preparação para a viagem, que começa às 4h da manhã quando Gezuel vai pegar Ruana, Serena, Princesa e Sertaneja no pasto, em frente à sua casa. Depois de prendê-las, ele as escova e ferra. Na sequência, lava as peças de queijo — 36 no total — com água filtrada para depois colocá-los nos canudos de madeira, recipientes feitos por artesãos locais comprados a R$ 25 cada, que servem para transportar o alimento. Depois desta etapa, o tropeiro ensaca doces, geleias, o mel e os ovos caipira. Ao final, põe os produtos — cerca de 90 quilos — nos seis balaios de palha, que são pendurados logo em seguida nos ganchos das selas.

    Gezuel compra os produtos das 73 famílias que moram em Serra Negra. Trata-se de uma pequena localidade, que tem uma escolinha pública com apenas nove alunos. Na sala de aula, um cartaz sobre a ameaça de extinção da araucária, espécie nativa, deixa claro que ali, apesar da distância, falta de rede de telefonia, e uma ou outra TV nos casebres, a preservação ambiental já é uma preocupação. Gezuel confirma e informa que a natureza ali mudou. Ele não sabe porque, mas diz que nos últimos anos a terra e o ar estão mais secos.

    — Chovia mais há cinco anos — afirma.

    Em Serra Negra, além da escola, há um bar e um posto de saúde, cujo registro de atendimento mais frequente é de pessoas com hipertensão.

    — As estradas aqui foram abertas há pouco mais de 20 anos. Até então percorríamos a região a pé ou a cavalo. Agora, com as estradas, o povo usa fusca ou moto. O povo parou de andar, deve ser por isso que ficam com pressão alta — disse Gezuel.

    Na região, os casebres são feitos pelos próprios moradores. Gezuel fez a sua casa, que tem quarto, sala, banheiro e cozinha com fogão de lenha, permanentemente aceso para esquentar o ambiente. É preciso, pois a região é conhecida como Terras Altas da Mantiqueira e faz parte do Parque Nacional de Itatiaia. O frio é intenso e, em julho, chega a gear. Nesses dias, o tropeiro viaja encasacado e com um manto quente entre o corpo e a sela.

    Em cada viagem, Gezuel fatura pouco mais de um salário mínimo. Mas lucra mesmo R$ 250, que somados ao restante que consegue ganhar com a venda de outras mercadorias e o aluguel de duas cabanas em seu terreno para visitantes, chega a lhe dar um ganho mensal de quase R$ 800.

    Para ele está bom, pois onde mora gasta pouco. Importante mesmo, segundo ele, é poder contribuir para vender os produtos dos agricultores de Serra Negra, que dificilmente conseguiriam escoar a produção não fossem as viagens semanais de Gezuel e os três outros tropeiros — todos criados na região e amigos de infância.

    Ele também diz que o povo dali poderia produzir mais variedades de produtos, como hortaliças. Mas falta assistência técnica. Para ele, a distância de 40 quilômetros para Itamonte, a cidade mais próxima, com estradas acidentadas, parece que espanta os técnicos.

    — A terra aqui é boa e os agricultores poderiam produzir mais. Só que não sabem como. Dia desses o Ibama chegou aqui e proibiu as pessoas de fazerem queimadas para roçar a terra, um hábito antigo. Sabemos que isso não é bom para a natureza, mas ninguém nos ensinou a fazer diferente. Os moradores pararam de plantar e, hoje, as pequenas hortas são para o consumo de cada família. Uma pena, pois podíamos ganhar um pouco mais produzindo hortaliças.

    Desconfiado como todo mineiro e um tanto sisudo, Gezuel demorou bastante para dar conversa para a equipe do Razão Social. Mas o ar carrancudo não resistiu à viola afinada do fotógrafo. Nos primeiros acordes, a sisudez deu lugar a um sorriso.

    — Conhece esta? — perguntou o tropeiro, para depois emendar o refrão que costuma cantarolar pela trilha: — "Eu sou tropeiro/Levo a vida cantando/Minha vida é viajar/Compro tropa/Vendo cavalo/Mas só este coração pra ninguém posso vender".

    O dele, de fato, ainda continua vago. Aos 62 anos Gezuel ainda aguarda o dia que encontrará uma moça para formar uma família. Diz que ainda não teve sorte, mas que pretendentes não faltam:

    — Ainda não tive sorte com as mulheres, só com as minhas quatro mulas de trabalho que só me dão alegrias. As moças aparecem e aí eu converso, converso e, quando vejo, me desinteresso! Mas uma hora aparece e quem sabe ainda consigo formar uma família. Ser solteiro não é bom não...é como o vento, não tem paradeiro.

    Legislação não favorece pequeno produtor

    A viagem semanal dos tropeiros de Serra Negra é um exemplo do circuito curto de distribuição de alimentos, defendida pelo professor Renato Maluf, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Ele acredita que em um país de dimensão continental como o Brasil não se justifica que as mercadorias percorram longas distâncias do produtor ao consumidor.

    Para o professor, que já foi presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar, reduzir a distância entre as duas pontas da cadeia produtiva de alimentos é apostar, sobretudo, na economia de energia. Além disso, distribuição regional significa, para ele, fortalecimento e valorização do pequeno produtor, mas também incentivo à criação e manutenção dos pequenos comércios locais, importantes para gerar postos de trabalho.

    — Os circuitos longos, que prevalecem no Brasil, impõem padrões de consumo. Exemplos são pão e pizza feitos de trigo. Este alimento é consumido de Roraima, onde não existe esta matéria-prima, ao Rio Grande do Sul. É gasto de energia desnecessário e sai caro para o país. O norte deveria usar a mandioca como ingrediante.

    Ele ressalta, no entanto, que a transição ao circuito curto exigirá alguns ajustes. A começar, pela legislação do setor que não favorece a produção artesanal.

    — Ninguém quer que o consumidor seja exposto a riscos, mas na produção de queijo, por exemplo, não se aceita leite sem ser pasteurizado. Os pequenos não podem ter este equipamento. A legislação deveria prever a produção artesanal — disse o professor, que destaca ainda que falta assistência técnica para os produtores artesanais.



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